10# CULTURA 21.5.14

     10#1 ARTES VISUAIS - A GRANDE AVENTURA SENSORIAL
     10#2 LIVROS - O DIA EM QUE GRACILIANO RAMOS ENTREVISTOU LAMPIO
     10#3 LIVROS - CARTAS PARA MRIO DE ANDRADE
     10#4 CINEMA - SUPERPAPIS
     10#5 EM CARTAZ  LIVROS - TODOS OS VERSOS DE WALY SALOMO
     10#6 EM CARTAZ  AGENDA - MIGNONE/BAHIA/VIVO OPEN AIR
     10#7 EM CARTAZ  EXPOSIO - UM GRANDE OL
     10#8 EM CARTAZ  MSICA - VOO SOLO E MUITAS PARCERIAS
     10#9 EM CARTAZ  FOTOGRAFIA - QUANDO A FOTO  ARTE
     10#10 EM CARTAZ  CINEMA - UM LADRO MALVADO E FIEL

10#1 ARTES VISUAIS - A GRANDE AVENTURA SENSORIAL
Considerada pelo Museu de Arte Moderna (MoMA), de Nova York, como "uma das mais fascinantes e complexas meditaes sobre o corpo em todo o sculo 20", a obra revolucionria de Lygia Clark ganha sua maior retrospectiva j realizada nos EUA
Paula Alzugaray

Quando se mudou para Paris, em 1970, para dar aulas na Sorbonne, Lygia Clark tinha a sua srie de esculturas Bichos reconhecida por publicaes internacionais como um dos marcos da arte cintica. Com essas primeiras obras interativas  formas vertebradas e manipulveis pelo espectador , Lygia poderia perfeitamente ter se acomodado  posio de expoente brasileira de um movimento internacional que rompeu com a condio esttica da pintura. Impossvel. Naquele momento, ela j havia dado um passo irreversvel no sentido de desintegrar o objeto da arte, criando para a Bienal de Veneza de 1968 a instalao A Casa  o Corpo: Penetrao, Ovulao, Germinao, Expulso, que simula o aparelho reprodutor feminino e permite ao pblico uma experincia imersiva ao percorrer seu interior. A obra est exposta em Lygia Clark: The Abandonment of Art, 1948-1988, no Museu de Arte Moderna (MoMA), de Nova York, a mais abrangente exposio dedicada  artista brasileira realizada nos EUA.

CONTATO INTERIOR - Lygia Clark usa "Mscara Abismo com Tapa-Olhos" (1968), um dos trabalhos com os quais a artista substitui a experincia esttica pela sensorial, incentivando o uso do tato

A retrospectiva rene cerca de 300 trabalhos produzidos desde o fim dos anos 1940 at o comeo da dcada de 1980 e divide-se em trs fases: abstracionismo, neoconcretismo e o abandono da arte em prol de um trabalho radical de experimentao sensorial, de cunho teraputico. A exposio  uma importante ocasio para entender de que modo a semente da poderosa arte relacional e sensorial de Lygia Clark j estava germinada nas criaes primrias da artista.

Em sua inquietao em relao ao plano bidimensional  sentimento que dividia com os artistas do grupo neoconcreto, como Hlio Oiticica e Ferreira Gullar, e expressava nas sries Descoberta da Linha Orgnica (1954), Quebra da Moldura(1954) e Bichos , j estava implcita a pesquisa sensorial que aprofundaria em Paris. Quando ainda pintava, Clark afirmava que sua investigao pictrica no era ptica, mas visceralmente ligada com a experincia do sentir. Sobre os Bichos, dizia que tinham vida prpria e continham um movimento em si mesmos, independentemente de serem manipulados pelo toque.

Depois de incentivar o espectador a tocar as superfcies metlicas dos Bichos, ela o incitaria a provar muitas outras matrias e volumes  que nos anos 1970 ganhariam o nome de objetos relacionais. A grande aventura sensorial proposta por Lygia Clark comeou com Livro Obra/ Livro Sensorial (1964), que no tinha textos, mas uma coleo de volumes, como conchas, novelos de l e pedras, guardadas em pginas de plstico, para serem experimentados pelo toque, como em um livro em braile.

Em 1966, a pedra adquiriu importncia fundamental. Quando Lygia j havia abandonado o que definia por cogitaes estticas e se entregado a pesquisas de outra natureza, uma experincia com uma pedra e um saco plstico levou-a ao seu primeiro trabalho em torno do corpo  Nostalgia do Corpo: Respire Comigo (1966). O trabalho consiste em um saco plstico vedado por um elstico, inflado de ar, com uma pequena pedra que ganha movimento quando o saco  apertado pelas palmas das mos dos participantes, em uma experincia comparvel ao movimento torxico da respirao. A obra inspirou a cano If You Hold a Stone (1971), de Caetano Veloso, e agora inspira o texto do curador Luis Prez-Oramas, publicado no catlogo.

A pedra fundamental de Lygia Clark  uma obra precursora de uma nova conscincia do corpo, emergente nos anos 1960, definida pela curadora Cornelia Butler como uma das mais fascinantes e complexas meditaes sobre o corpo e sua presena no mundo, em todo o sculo 20, que ressoa muito alm do contexto nacional. Agora revista e legitimada pelo MoMA, ganha visibilidade indita, atingindo milhares de pessoas. Contudo, Prez-Oramas, curador de arte latino-americana Estrellita Brodsky no MoMA, prefere o termo revelao a descoberta (leia entrevista).

Revelada, descoberta, revista ou experimentada, Lygia Clark estimula dezenas de eventos relacionados. Dentro do MoMa, a mostra On the Edge: Brazilian Film Experiments of the 1960s and Early 1970s apresenta filmes do cinema marginal. Prez-Oramas participou de debate promovido pelo Projeto Latitude, do Brasil, em evento que lanou a publicao Plataforma, editada pela revista seLecT. Na cidade, mais de 20 artistas contemporneos, entre eles Tunga, Lenora de Barros, Raul Mouro, Carlito Carvalhosa e Caio Reisewitz, expem atualmente em coletivas, individuais, instituies e galerias, instaurando uma primavera brasileira em Nova York.


10#2 LIVROS - O DIA EM QUE GRACILIANO RAMOS ENTREVISTOU LAMPIO
"Cangaos" traz textos do escritor sobre o banditismo que aterrorizou o Nordeste no incio do sculo passado e inclui uma conversa imaginria com Virgulino Ferreira, editada pela primeira vez em livro
Ivan Claudio (ivanclaudio@istoe.com.br)

"Aqui no serto, quando um camarada tem raiva de outro, toca fogo nele.  a justia mais usada e no falha. Temos tambm a dos autos, demorada, mas que no  m, porque os promotores se enrascam sempre e os jurados so bons rapazes. Essa declarao poderia ter sido dita hoje, quando a justia com as prprias mos  praticada como decorrncia de uma percepo errada das leis e da ao do Estado. Mas veio  luz h 83 anos, numa entrevista imaginria entre o escritor Graciliano Ramos e o cangaceiro Lampio, publicada no dia 16 de maio de 1931. Uma conversa fictcia? Exatamente  e a est toda a diferena. Alm de iluminar o processo criativo do autor de Vidas Secas e So Bernardo, o curioso texto encomendado pela revista alagoana Novidade surpreende pelo artifcio utilizado. Entrevistas forjadas so muito comuns atualmente, mas na juventude de Graciliano eram uma ousadia. O bate-papo  um dos escritos inditos do livro Cangaos (Record), que rene ensaios e crnicas veiculados na imprensa, nos quais o escritor tratou do banditismo sertanejo.

CRONISTA - Graciliano escreveu artigos para jornais e revistas de Macei e do Rio de Janeiro entre 1931 e 1941

Haviam causado furor as duas entrevistas reais, concedidas por Lampio ao jornalista Otaclio Macedo, em maro de 1926. Ao imaginar um dilogo por telepatia, Graciliano ataca a imprensa sensacionalista e, com ironia e tom jocoso, questiona o salteador sobre temas gerais. Quais so as suas ideias a respeito da propriedade?, pergunta. E o cabra macho: Isso por aqui  nosso: gado, cachaa, mulher, tudo.  de quem passar a mo, entende?. Sobre a famlia: Pra dizer a verdade, nunca pensei nisso. E o senhor  danado de fuxiqueiro. Quanto  mulher, hoje a gente pega uma, larga amanh, arranja outra, casa aqui, descasa acol, e assim vamos indo. Segundo o professor de editorao da Universidade de So Paulo (USP), Thiago Mio Salla, que organizou o livro ao lado da doutora em literatura brasileira Ieda Lebensztayn, mais que o estilo  a atualidade que surpreende nos 14 textos (foram acrescentados ainda dois captulos de Vidas Secas, que ajudam a dar corpo ao conjunto de escritos reunidos pela primeira vez nessa perspectiva). Mudam-se os atores, mas a violncia  a mesma, estruturante, diz Salla, acenando para os linchamentos, execues e desmandos policiais recentes como exemplo de persistncia de uma situao que parece estar no DNA nacional.

Ieda chama a ateno para o fato de essa produo, que durou uma dcada a partir de 1931, s agora ter sido classificada segundo a cronologia, o que possibilita saber o que veio  luz antes e depois da priso do autor, em 1936, acusado de comunista. Antonio Silvino, por exemplo,  de 1938.

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NA MIRA
 Lampio, sem a sua indumentria famosa: morte prevista
 pelo escritor seis meses antes de ser eliminado

Se no falou realmente com Lampio, a conversa que teve com esse cangaceiro, cujo nome de batismo era Manoel Batista de Moraes, aconteceu de verdade. Silvino entrara para o crime aos 21 anos, aps o assassinato do pai, e at os 37 realizou saques e matou muitos. Graciliano encontra-o na cadeia no primeiro ano de sua pena de duas dcadas  vai ao presdio junto com Jos Lins do Rego, que o retrata em cinco livros.  descrito como um desses pobres-diabos que morrem no eito e no fazem grande falta, aguentam faco de soldado nas feiras das vilas e no se queixam. Aceitar a opresso sem reclame est, segundo o autor, na origem do conformismo que s precisa de uma coronhada no p para explodir em revolta cega. Sentimento recorrente, expresso na frase apanhar do governo no  desfeita, dita por Fabiano, o retirante preso injustamente em Vidas Secas. Na crnica citada acima, o escritor mostra-se aberto  complexidade do que chama de lampionismo, j definido em texto anterior como o molde de onde saem sucedneos em coragem e desventura: o que transformou Lampio em besta-fera foi a necessidade de viver, afirma. Como ressalva, registre-se que o autor mais uma vez incorre no preconceito racial ao apresentar Silvino como homem branco no representante das raas inferiores.


10#3 LIVROS - CARTAS PARA MRIO DE ANDRADE
Livro rene entrevistas inditas da filsofa Gilda de Mello e Souza e sua correspondncia com o escritor
Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)

Os primos Gilda de Mello e Souza e Mrio de Andrade viveram uma histria de parceria intelectual e afetiva que fala sobre uma fase vibrante dos estudos humanistas no Brasil. A Palavra Afiada (Ouro Sobre Azul), organizado por Walnice Nogueira Galvo, rene uma srie de entrevistas esparsas da filsofa Gilda de Mello e Souza, uma das fundadoras da revista Clima e primeira ocupante da cadeira de esttica da Faculdade de Filosofia, Letras e Cincias Humanas da Universidade de So Paulo. Algumas inditas, como a concedida ao jornalista Augusto Massi, em 1993, e outras j conhecidas, em conjunto elas apresentam a mltipla e respeitada trajetria intelectual da filsofa.

TROCA - Volume organizado por Walnice Nogueira Galvo mostra a influncia do escritor Mrio de Andrade (acima) na carreira da filsofa Gilda de Mello e Souza

 quase uma preparao arquitetada pela organizadora  para a cereja do bolo, o compndio final com dez cartas escritas por Gilda ao primo entre 1938 e 1942. Prestes a se formar, num momento em que pedia autorizao  famlia para trabalhar, tinha em Mrio de Andrade um farol que muito a ajudou nas escolhas que definiram os seus rumos. As cartas so cruciais para entabular um debate sobre as tomadas de deciso quanto  vocao, debate candente nessa fase da vida de Gilda, escreve a organizadora no prefcio. Vinda do Fundo Mrio de Andrade, arquivo do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB-USP), a correspondncia  na verdade s as cartas escritas por Gilda  compe um quadro raro da proximidade e da admirao mtua dos primos e tambm deixa clara a influncia decisiva dos estudos brasileiros de Mrio de Andrade no percurso que a filsofa seguiria na dcada seguinte,  frente da cadeira de esttica, e anos depois, como chefe de departamento. Mas tambm h passagens afetivas entre os familiares, que chegaram a viver na mesma casa e se mantiveram prximos por toda a vida  da a escassez de cartas, uma vez que sempre se viam.

"A primeira maneira que eu tenho de ver o Mrio   curioso   pelos sapatos. Acho que foi a primeira coisa que vi  no s porque ele era muito grande e o p era enorme e eu muito pequenininha, tinha 3 ou 4 anos nessa ocasio"


10#4 CINEMA - SUPERPAPIS
Identificados com seus personagens, atores fazem carreira dentro de sagas como Hugh Jackman, que transformou Wolverine em gal, e Harrison Ford, que, com mais de 70, reassume Indiana Jones
Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)

Baixinho, peludo e desagradvel. O Wolverine dos quadrinhos nasceu desse jeito, mas ganhou fama e uma silhueta muito melhor no quase 1,90 m do ator australiano Hugh Jackman. Com seu porte de bailarino trazido dos musicais, Jackman chega a seu stimo filme da saga como carcaju mutante em X-Men  Dias de um Futuro Esquecido. Quase 15 anos mais velho, um cncer de pele em tratamento e alguns quilos de msculos a menos, o ator viaja o mundo para o lanamento do longa  que chegou a pensar ser o seu ltimo, por causa da doena  j fechado com o prximo da srie, previsto pela Fox Filmes para 2017. Aos 45 anos, Jackman faz parte de uma tropa seleta de intrpretes do cinema que se tornaram to identificados com seus personagens que dificilmente suas sagas continuariam sem a sua participao.

FATOR DE CURA - Cncer no impediu Hugh Jackman (acima) de viver o brigo Wolverine

Harrison Ford, que completa 72 anos em julho,  outro. Confirmou a participao em Indiana Jones 5, desmentindo boatos de sua substituio no papel do antroplogo que salva tesouros com seu chicote e chapu por atores mais jovens. Sero, assim, mais de 30 anos  frente do protagonista, empossado em Os Caadores da Arca Perdida, de 1981. Ford tambm vai fazer Star Wars VII, no ano que vem, como o mesmo Han Solo, piloto-gal que interpreta desde 1977, quando George Lucas comeou a srie bilionria  US$ 4,5 bilhes, s em bilheteria. E declarou  imprensa americana que, se Blade Runner ganhar um novo filme  o que pode acontecer no prximo ano , ele est dentro.

Em alguns casos, foram as carreiras que sucumbiram ao sucesso do personagem. Daniel Radcliffe tinha 12 anos quando deu rosto e voz em fase de mudana ao bruxo mirim Harry Potter, em 2001. De l para c foram poucas oportunidades no cinema, aparies na imprensa em boatos com envolvimento com drogas e nenhum sucesso de pblico. Mas aos papis heroicos tambm couberam alguns resgates. Robert Downey Jr. estava desde os anos 1990 longe de uma pgina de crditos digna, quando foi salvo pelo Homem de Ferro, que chegou ao terceiro da franquia no topo das bilheterias. A criatura de Stan Lee foi aproveitada ainda pela Marvel nos dois desdobramentos de Os Vingadores. Foram seis anos dentro da armadura e, especula-se, US$ 50 milhes por filme. Corre em Hollywood que Downey Jr. estaria inflacionando o cach para se livrar do heri metlico  o que prova que algumas mscaras custam mais a descolar da cara do que outras.


10#5 EM CARTAZ  LIVROS - TODOS OS VERSOS DE WALY SALOMO
por Ivan Claudio (ivanclaudio@istoe.com.br)

Depois de Paulo Leminski e Ana Cristina Cesar, agora  a vez do poeta baiano Waly Salomo ter a sua obra potica reunida em Poesia Total (Companhia das Letras). O volume inclui oito obras, desde Me Segura QuEu Vou Dar Um Troo (1972) at Pescados Vivos (2003). Alm da seo de canes nunca antes publicadas, o livro traz um apndice com anlises assinadas por Antonio Cicero, Davi Arrigucci Jr. e Helosa Buarque de Hollanda, para quem Salomo distanciava-se da poesia marginal, praticada por sua gerao, pela forte referncia erudita.


10#6 EM CARTAZ  AGENDA - MIGNONE/BAHIA/VIVO OPEN AIR
Confira os destaques da semana
por Ivan Claudio (ivanclaudio@istoe.com.br)

Vnia Mignone
 (MAC Ibirapuera, So Paulo, at 30/11)  Com 58 telas, a mostra Cenrios traa uma retrospectiva da carreira da pintora que usa figuras e signos urbanos.

Bahia
 (Museu Afro Brasil, So Paulo, at 6/7)  Com curadoria de Emanoel Arajo, a exposio O Que  Que a Bahia Tem homenageia Dorival Caymmi por meio de telas, fotos, livros e objetos relacionados ao universo de suas canes.

Vivo Open Air
 (Marina da Glria, Rio de Janeiro, at 1/6)  O maior festival de cinema ao ar livre do mundo vai exibir clssicos como Laranja Mecnica, Taxi Driver e O Poderoso Chefo.


10#7 EM CARTAZ  EXPOSIO - UM GRANDE OL
por Ivan Claudio (ivanclaudio@istoe.com.br)

As touradas consistem em parte importante no s da cultura, mas do prprio imaginrio espanhol. Tauromaquia (Museu de Arte Brasileira (MAB) da Faap, So Paulo, at 22/5) traz o embate entre homens e touros na viso de trs gnios daquele pas: Francisco de Goya y Lucientes, Pablo Picasso e Salvador Dal. Ao todo, a exposio rene 303 gravuras e desenhos originais, reprodues, fotografias e uma escultura, o bronze Minotauro, de Salvador Dal. Picasso tem, disparadamente, o maior nmero de obras: 125 peas. De Francisco de Goya y Lucientes, que registrava as touradas ao vivo, numa crtica ao culto ligado  realeza, a Faap rene 40 criaes em papel.


10#8 EM CARTAZ  MSICA - VOO SOLO E MUITAS PARCERIAS
por Ivan Claudio (ivanclaudio@istoe.com.br)

Poucos msicos se renovam  e surpreendem  tanto quanto o ingls Damon Albarn, revelado na cena do britpop nos anos 1980 com a banda Blur. Cansado do trabalho com seu grupo, ele partiu para novas experincias, sempre inovadoras. Flertou com o hip-hop  frente da banda virtual Gorillaz, trabalhou com msicos do Mali e fez at trilha para uma pera chinesa. Em Everyday Robots, seu primeiro disco solo, Albarn rene canes intimistas e melanclicas que tratam de sua infncia e do uso de drogas, por exemplo. Musicalmente, faz um casamento de instrumentos acsticos com eletrnica, muito bem acompanhado. Brian Eno canta em Heavy Seas of Love e toca sintetizador em You and Me.


10#9 EM CARTAZ  FOTOGRAFIA - QUANDO A FOTO  ARTE
 (Cobog)
por Ivan Claudio (ivanclaudio@istoe.com.br)

O uso da imagem fotogrfica como suporte para a articulao de uma potica pessoal norteou a criao do livro Fotografia na Arte Brasileira Sc. XXI (Cobog), que d prosseguimento ao panorama da produo contempornea nacional, feito pela editora. Foram selecionados 150 trabalhos de 39 artistas, desde nomes que iniciaram suas obras ainda dentro de uma concepo tradicional do meio  embora forando os seus limites , caso de Claudia Andujar e Miguel Rio Branco, at aqueles que usam o registro fotogrfico para documentar performances, como Amilton Parker. Dentro do territrio expandido de sua prtica, cabe o questionamento do prprio princpio da foto, como na produo de Rosngela Renn, e tambm a interferncia na materialidade da impresso, a exemplo de Pedro Motta, que usa terra no acabamento de suas obras.


10#10 EM CARTAZ  CINEMA - UM LADRO MALVADO E FIEL
por Ivan Claudio (ivanclaudio@istoe.com.br)

Feio, sujo e malvado.  assim que o astro Jude Law, o Dr. Watson de Sherlock Holmes, aparece na comdia A Recompensa, sobre o mundo do crime na Inglaterra. Na pele do ladro de bancos Dom Hemingway, ele deixa a cadeia aps 12 anos para cobrar de seus antigos parceiros uma recompensa por no t-los delatado. Arruaceiro, mulherengo, inveterado bebedor de usque e usurio de cocana, o bandido tem ainda que resgatar o amor da filha que no viu crescer. A partir do reencontro com Evelyn (a atriz Emilia Clarke, de Game of Thrones), o filme de Richard Shepard d alguma chance de redeno ao macho bbado e truculento que adora falar do prprio pnis. 

+ 5 filmes de Jude Law

A.I. INTELIGNCIA ARTIfICIAL 
 Law  um rob nesse enredo de Stanley Kubrick que atualiza a histria de Pinquio. Direo de Steven Spielberg.

ANNA KARENINA 
 Na verso de Tom Stoppard e Joe Wright para o romance de Leon Tolstoi, o ator vive Karenin, o marido trado.

A INVENO DE HUGO CABRET
 Law interpreta o pai do protagonista no filme de Martin Scorsese que ganhou cinco Oscars.

SHERLOCK HOLMS  
 O ator  o melhor amigo do investigador ingls na srie de filmes dirigida por Guy Ritchie.

CLOSER: PERTO DEMAIS 
 Baseado em romance homnimo, o filme traz ainda Julia Roberts e Natalie Portman no elenco.

